
Estava lendo a revista Época e lembrei de uma matéria que fiz com a colunista Eliane Brum. As reflexões que a jornalista propôs durante a visita na semana de jornalismo da UFSC - 2010 ainda ecoam na minha memória. A principal mensagem que ficou para mim é: "lugar de jornalista é na rua!"
Segue abaixo a matéria que eu fiz com a autora.
“Estou bem faceira de estar aqui”. Foi com essas palavras que a jornalista Eliane Brum iniciou a palestra de abertura da 9° Semana de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, nesta segunda-feira, 13. A escritora e documentarista, que não consegue falar sentada, escreveu todo o texto da palestra para não esquecer nada.
Apesar da voz doce e do jeito sensível, Brum usa palavras fortes e rapidamente mostra a grande habilidade de contar os detalhes da vida anônima, que tanto persegue. E foi com base nessas peculiaridades que a jornalista contou histórias inspiradoras para os futuros profissionais que estiveram no evento.
“Repórter é um contador de histórias reais e isso não é pouca coisa. É um jeito de viver. Jornalismo é o reconhecimento da vida em palavras”, afirma Eliane.
A colunista do site da revista Época e cronista do site vidabreve.com contou os momentos que mais marcaram os anos de trabalho. Ela defendeu uma reflexão sobre o grande destaque dado pelos jornais aos bandidos e as pequenas notinhas que são reservadas para as pessoas comuns, que têm belas histórias para contar. Exemplos não faltaram, como a do trabalhador de rua, Jorge Luiz , que ganhava a vida comendo vidros; da deficiente física Eva Rodrigues, que fez universidade e irritou muitas pessoas que não podiam sentir pena dela; da Enilda, mãe de bandidos, que comprou antecipadamente os caixões dos filhos traficantes para que eles pudessem morrer com dignidade.
No meio de uma história e outra, a jornalista que ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais, criticou o modo como alguns jornalistas trabalham atualmente. “Coisa maluca esses profissionais que não saem às ruas e fazem as entrevistas por telefone. As pessoas não se escutam mais. Jornalistas se reduziram a aplicadores de aspas em série. O silêncio fala, uma coçada de cabeça fala, uma olhada pro lado pode revelar muitas coisas. Bons repórteres são bons escutadores” afirma.
“O jornalista deve ir para a rua disposto a olhar, com os ouvidos bem abertos e pronto para o espanto”
Eliane Brum lançou recentemente, em São Paulo, o documentário "Gretchen Filme Estrada" onde mostra o envolvimento da rainha do rebolado na política e algumas histórias dos 30 anos de carreira da dançarina.
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